Morder é um comportamento que desperta dúvidas e preocupações entre pais, educadores e cuidadores. No entanto, é importante lembrar: apesar de parecer alarmante, trata-se de um comportamento relativamente comum nas idades mais precoces, sobretudo até aos três anos.

A boa notícia é que, quando compreendemos porque acontece e sabemos como agir, conseguimos transformar estas situações em oportunidades valiosas de aprendizagem, ajudando as crianças a desenvolver competências sociais e emocionais fundamentais para o seu crescimento.

Vamos então perceber porque é que as crianças mordem…
Morder é uma forma de comunicação para crianças pequenas que ainda têm competências verbais limitadas. Como nem sempre conseguem exprimir emoções ou necessidades complexas em palavras, morder surge muitas vezes como uma forma rápida e eficaz de transmitir uma mensagem.
Pode acontecer por diferentes razões, incluindo:

 

    • Frustração e falta de competências de comunicação: quando não conseguem usar palavras, as crianças podem morder para mostrar zanga, defender um brinquedo ou expressar uma emoção forte.
    • Imitação e curiosidade: algumas crianças mordem porque viram outros a fazê-lo ou apenas para testar o que acontece se o fizerem.
    • Desenvolvimento das competências sociais: morder pode surgir enquanto aprendem a interagir com os pares, estão a explorar limites e a experimentar diferentes formas de se relacionarem.
    • Falta de autocontrolo: nestas idades, as crianças ainda estão a aprender a controlar os impulsos e muitas vezes as suas reações emocionais são expressas fisicamente.
    • Exploração de causa-efeito: muitas crianças testam a ideia de ação e reação através da mordida — “o que acontece se eu fizer isto?”.
    • Desconforto físico: dores de dentição ou mal-estar geral podem também desencadear mordidas.
    • Sobrestimulação ou emoções intensas: a excitação, o medo ou a ansiedade podem levar à mordida quando ainda não existem outros meios de expressão disponíveis.

É importante salientar que a mordida não é, na grande maioria dos casos, um sinal de maldade. Reflete antes o estágio de desenvolvimento em que a criança se encontra e a sua capacidade ainda emergente para comunicar, regular emoções e interagir socialmente.

Curiosidades:

 

    • A investigação indica que a mordida é mais comum em crianças com menos de três anos.
    • Vários estudos sugerem ainda que tende a ocorrer com maior frequência no mês de setembro, altura de adaptação a novas rotinas.
    • Os meninos têm estatisticamente maior probabilidade de morder do que as meninas.

Alguns Mordem, Outros Não
Nem todas as crianças mordem, e a frequência varia de acordo com o temperamento, o ambiente e a fase de desenvolvimento. É importante reconhecer que, enquanto algumas crianças podem morder com frequência, outras nunca apresentam este comportamento. Cada criança desenvolve-se de forma única, e a mordida é apenas uma das muitas maneiras de explorar as interações sociais e a autoexpressão.

Como Lidamos com a Situação na AIS
Na nossa escola, utilizamos uma abordagem restaurativa adequada à idade quando ocorre um episódio de mordida. Esta prática permite às crianças refletirem sobre o que aconteceu, reconhecerem emoções próprias e dos outros, e procurarem formas mais saudáveis de se expressar, reforçando a empatia, a segurança e interações sociais positivas.

Para além disso, recorremos a várias estratégias preventivas e de apoio, como:

 

    • Livros infantis, dramatizações e conversas orientadas, para ajudar as crianças a explorar emoções e compreender o impacto das suas ações.
    • Supervisão proativa, monitorizando de perto as brincadeiras e redirecionando comportamentos de forma suave quando necessário.
    • Oferecer alternativas, como brinquedos, atividades de relaxamento e outros meios positivos para libertar tensão.
    • Regras e limites claros, explicados de forma consistente, de modo a que as crianças se sintam seguras.
    • Colaboração com as famílias, mantendo uma comunicação aberta e construtiva, para que as estratégias também possam ser reforçadas em casa.

Ao integrar práticas restaurativas e estratégias preventivas, aplicadas de forma consistente, trabalhamos diariamente para que a sala de aula seja um ambiente seguro, acolhedor e cheio de oportunidades para aprender e crescer.

O Que Podem Fazer os Pais?
Os pais podem apoiar os filhos tanto em casa como em colaboração com a escola. Trabalhando em conjunto, famílias e educadores ajudam as crianças a ultrapassar estes comportamentos desafiantes, promovendo a autorregulação, a competência social e relações positivas entre pares.

Os pais podem ajudar ao:

 

    • Reconhecer emoções: apoiar a criança, dando nome e validando os sentimentos, quer tenha sido quem mordeu, quer tenha sido mordida (ex.: “Vejo que estavas zangado” ou “Deve ter doído”).
    • Transmitir segurança: reforçar que os adultos estão presentes para ajudar e manter todos seguros.
    • Ensinar alternativas: incentivar o uso de palavras, gestos ou estratégias simples para expressar necessidades e frustrações sem recorrer à mordida.
    • Reforçar comportamentos positivos: valorizar e elogiar quando a criança consegue lidar com conflitos ou brincar sem morder.
    • Estimular a resiliência: ajudar a criança a seguir em frente após o incidente, mostrando que pode recuperar, voltar a brincar e sentir-se segura.
    • Colaborar com a escola: manter uma comunicação aberta com os educadores para compreender as estratégias utilizadas na sala e reforçá-las em casa.

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